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Burgueses, o mito da neutralidade, liberais, e o Escola Sem Partido

9 de setembro de 2016 - 0:17:24

ogc

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O discurso burguês sobre Estado laico e “neutralidade” nada pode contra o movimento revolucionário, pelo simples fato de que é a mãe dele. O discurso fascista também nada pode, porque é irmão dele. Nenhum discurso pronto pode nada contra o movimento revolucionário, porque discurso pronto é coisa de velho caquético, frágil como papel queimado. Só o que pode contra o movimento revolucionário é a inteligência criadora que o engole e supera como a serpente de Moisés engoliu as serpentes dos magos.
* Se você, aí na direita, seja líder de movimento, oficial militar, professor universitário, blogueiro ou jornalista etc., tem alguma opinião sobre estratégia anticomunista, por favor NÃO ME CONTE. Muito menos pergunte o que eu acho dela. Eu estudo essa merda faz CINQUENTA anos, provavelmente mais que a duração da sua vida, e entendo que as conclusões formadas ao longo dessa experiência, já confirmadas tantas vezes em previsões certeiras, NÃO TÊM COMO SER TRADUZIDAS na linguagem da contestação a cada opinião de recém-chegado. Seria uma trabalheira sem fim e sem proveito.
* Quando me convidarem para qualquer evento, estejam avisados: se algum conferencista for pago, eu cobrarei mais que ele. Ou todos trabalhamos de graça por uma boa causa, ou que cada um seja remunerado conforme o seu valor de mercado.
* A esquerda sempre soube distinguir entre intelectuais autênticos, que existem para fazer análises e diagnósticos, e os “poster boys” e “poster girls” da academia e do show business. O velho Partido Comunista jamais desperdiçaria um Caio Prado Jr. ou um Jacob Gorender usando-os como garotos-propaganda. Para isso sempre existiram as Chauís, os Chicos Buarques, etc. Já na direita o pessoal só pensa em me exibir no palco ao lado do Rodrigo Cocô Instantâneo e do Kim Katakokinho, para ostentar a “unidade da direita”. * Os liberais são ótimos na crítica à economia marxista. Só que esse serviço já está feito, pronto e acabado desde os anos 30 do século XX. Nada a acrescentar. Quando o Hayek subiu acima das chinelas, saltando das análises críticas para a teoria ridícula da “ordem social espontânea”, o liberalismo começou a dar o cu aos comunistas e não parou nunca mais. * Um esquerdista, quando começa a chamar histericamente o adversário de “fascista”, é porque nada sabe contra ele e já perdeu a briga. Temos de espremer a mente esquerdista por todos os lados até que nada mais lhe reste senão o apelo forçado a esse expediente verbal pueril. Mas, quando o esquerdista fala sobre a impossibilidade de um ensino ideologicamente neutro, ele tem razão. E fomos nós que, por inexperiência e por apego a um mito burguês idiota, lhe demos essa arma. * Lição NÚMERO UM da retórica política: Todo ideal tem telhado de vidro, ou melhor, É um telhado de vidro. Não proponham ideal nenhum, modelo nenhum, concentrem-se no “trabalho do negativo”, como o chamava Hegel. Vocês ainda não perceberam que a grande vantagem do gramscismo e do frankfurtismo sobre todas as estratégias comunistas anteriores reside justamente nisso? * Na Índia, quando os camponeses desesperados chamavam o caçador branco para matar um tigre, nunca lhe perguntavam o que ele iria pôr em lugar do tigre. * Sou culpado de “sobrevalorizar “os resultados do COF? Ora porra, fora deles, e excetuados uns poucos sobreviventes de outras épocas, como por exemplo o prof. Ernildo Stein na filosofia ou o Alberto Mussa na literatura, simplesmente não existe mais alta cultura no país. Se existe, mostrem onde está e provem que nada deve ao COF.
* O problema do “Escola Sem Partido”‘ é que as objeções a ele SÃO sérias. A simples idéia da neutralidade é irrealista, é uma autocastração burguesa. É claro que todo movimento que inventarmos encontrará oposição na esquerda, Só temos de zelar para não fortalecer antecipadamente essa oposição preenchendo-a de substância real. Só podemos deixar ao inimigo o terreno inócuo do “flatus vocis”, do verbalismo forçado. * O “Escola Sem Partido” está corretíssimo nos ideais que o inspiram, mas, pela milésima vez: o problema não é a “doutrinação” comunista “nas” escolas, mas o CONTROLE comunista DAS escolas. Controle total, agressivo e intolerante. Se ao nomear os crimes do inimigo você já começa por usar uma linguagem eufemística, você não o está combatendo, está apenas provocando. E provocando com aquele misto de audácia e timidez que atrai inevitavelmente uma reação devastadora. * Nada enfraquece mais a direita do que o complexo burguês da “neutralidade”. * Exigir uma escola ideologicamente “neutra” é admitir que existe o direito de ser neutro entre o comunismo e o anticomunismo. Isso é pregar um equivalentismo moral obsceno, que é tudo o de que o comunismo precisa para ocupar espaço e conquistar a hegemonia. E revela-se um erro ainda mais medonho porque a característica fundamental da hegemonia comunista consiste justamente parecer tanto mais neutra e superiormente imparcial quanto mais completamente exerce o controle da situação. * Pregar uma “escola sem partido” é sugerir que existem vários partidos em disputa, quando o problema é que só existe um e ele já excluiu todos os outros. * O direito moral de ser comunista NÃO EXISTE, como não existe o direito moral de ser assassino, estuprador ou molestador de crianças. * O Brasil não precisa de uma escola “sem partido”: precisa de uma escola SEM COMUNISMO. * O “Escola Sem Partido” sendo acusado pelos seus inimigos justamente do mal que ELES fazem; o Marcel van Hattem saindo no meio de um debate em vez de botar o adversário para correr; a campanha do impeachment quebrando as pernas da direita em vez de aleijar a esquerda — estes são, entre milhares de outros, indícios eloqüentes da fraqueza estrutural que a direita deve ao complexo burguês da neutralidade e da isenção. * Só intelectuais, trabalhadores e religiosos podem se opor eficazmente ao comunismo. Burguês só atrapalha. * Toda vez que um burguês dá dinheiro para uma causa, ele já quer recobri-la de xilocaína. * É mais fácil vencer uma guerra sem dinheiro do que com o dinheiro dos vacilantes. * Os comunistas, nesse sentido, sempre souberam dar o tratamento adequado ao seu aliado burguês: aceitam a grana dele e o mandam ficar sentado quietinho num canto. A duras penas, os burgueses brasileiros estão aprendendo que, quando oferecem ajuda aos comunistas, têm de oferecer junto os seus cus para ser enrabados antes dos deles. O Marcelo Odebrecht que o diga. * Não estou aqui para zelar pelos cus de burgueses imprudentes.
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